Triste Fim da Magia

Num passado não muito remoto
Os deuses nos deram tecnologia
Desde então o homem se fez devoto
Da mais pura forma de magia:
A fé na supremacia do progresso
E de tantos lucros desenfreados, 
Sem considerar o grande regresso 
Dos valores humanos estagnados.

A magia agora desaparece
Enquanto fazem a última prece
Para o dinheiro, o deus errado, 
Inútil em um mundo acabado. 

Papai Noel se afoga 
no gelo polar derretido, 
E nas florestas queimadas
o Saci Pererê é atingido. 
A conexão das redes esbarra 
nos muros entre as nações,
E a expressão do ódio ameaça 
as liberdades de expressões. 

Num futuro menos remoto ainda
Os deuses podem anular sua vinda
Por preverem o abismo profundo
Que será enfim
O próprio fim
do mundo.

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Sol, semente, madrugada
Eu vivo em qualquer parte de seu coração"
Milton Nascimento | Salomao Borges Filho | Ronaldo Bastos Ribeiro