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Mostrando postagens de outubro, 2025

Microcontos (II): Telegrama

Sou eu, aqui do fim do mundo. Percorri o labirinto profundo dos anagramas do seu nome. Vi as crianças que têm fome e os homens que lutam com histogramas. Lembrei dos seus programas, dos seus cachos e do pôr do sol na grama. Alguém que muito te ama te contou em um conto que não cabe em um telegrama.

Microcontos (I): Seu Aristeu

Seu Aristeu vivia com pressa. Nasceu, cresceu, namorou, casou e enviuvou em uma única frase. Em vida, sempre correu atrás do vento. Na véspera do fim, um vendaval levou suas memórias em um piscar de olhos. Quando a Morte veio, apressada, negou-lhe mais tempo. Acabou morrendo depressa e de pressa.

Equinócio

A brisa úmida do futuro Tocou meu rosto duro com delicadeza E a beleza do desconhecido Conheceu o meu destemido presente O bem-te-vi e o quero-quero Ecoaram verbos despretensiosos Percorrendo azuis minuciosos E aterrizando em um verde sincero Nós sorrimos criativos no ócio Com curativos para dores de amores diversos Dispersos entre as nuvens do equinócio Universos cíclicos na estação das flores O tempo voltou a ser o que era Geológica era, mitológica quimera,  E a utopia da Justiça em seu vale profundo O norte fecundo que nos move em frente Girou novamente a roda do mundo.
"Sol, sereno, ouro e prata, sai e vem comigo
Sol, semente, madrugada
Eu vivo em qualquer parte de seu coração"
Milton Nascimento | Salomao Borges Filho | Ronaldo Bastos Ribeiro