Para Pepe Mujica

No novo milênio, no Novo Mundo, 
Num banco da chácara em Montevidéu,
O velho camponês admira o céu
Cuida dos cães e toma seu mate 
Lembrando dos dias de combate 
Seus olhos reveem a guerrilha urbana 
Em luta contra a opressão tirana 
E as lições de tantos anos de solidão
Encarcerado e condenado à reflexão 
Acumulando ferimentos e outras fatalidades 
E entendendo como viver de simplicidades 
Ensina ao povo o código das flores
E retransmite a natureza das cores 
Vai ser presidente em seu fusca azul 
E transforma a América do Sul 
Adverte a sociedade do consumo material 
De que toda transformação é cultural.
Grácias, Pepe, querido, por tanto! 
Serás eterna fonte de inspiração e espanto! 
Agora, vai com Lucía ouvir um tango manso
Que todo guerreiro merece o seu descanso.

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"Sol, sereno, ouro e prata, sai e vem comigo
Sol, semente, madrugada
Eu vivo em qualquer parte de seu coração"
Milton Nascimento | Salomao Borges Filho | Ronaldo Bastos Ribeiro