Entre atos e arte-fatos

O primeiro ato 
foi curto e um tanto ingrato. 
Forçado a me mostrar, 
acabei por me ocultar 
atrás das cortinas. 
Finas cortinas,
velhas rotinas.

O segundo ato 
é o maior e mais divertido relato. 
Percorri metafóricas colinas, 
verdes e grandiosas campinas. 
Cheguei sem esperar nada 
e encontrei a arte sagrada 
de viver muitas vidas 
em tantas ocasiões repartidas:
Reis, ratos e portas destemidas, 
curiosas senhoras comovidas, 
aquele colega de trabalho cretino, 
o respeitado senhor assassino, 
o pontual capanga dançarino...
Tantas histórias tecidas, 
emoções sentidas, 
provações vencidas, 
mostras repetidas, 
amostras repetidas, 
risadas coloridas 
e dolorosas partidas.

O terceiro ato 
segue indefinidamente abstrato, 
pois ensaiar a próxima cena 
implica desbravar nova arena.
Mas resta a certeza serena 
de que a arte faz a vida plena.
De longe, o público acena,
pedindo a próxima rima.

Comentários

  1. Lindo demaiss, li vendo cada ato acontecer. Me perdi no segundo, encontrei a certeza mais perfeitamente escrita no terceiro <3 Parabéns por essa preciosidade!!

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"Sol, sereno, ouro e prata, sai e vem comigo
Sol, semente, madrugada
Eu vivo em qualquer parte de seu coração"
Milton Nascimento | Salomao Borges Filho | Ronaldo Bastos Ribeiro