Entre atos e arte-fatos
O primeiro ato
foi curto e um tanto ingrato.
Forçado a me mostrar,
acabei por me ocultar
atrás das cortinas.
Finas cortinas,
velhas rotinas.
O segundo ato
é o maior e mais divertido relato.
Percorri metafóricas colinas,
verdes e grandiosas campinas.
Cheguei sem esperar nada
e encontrei a arte sagrada
de viver muitas vidas
em tantas ocasiões repartidas:
Reis, ratos e portas destemidas,
curiosas senhoras comovidas,
aquele colega de trabalho cretino,
o respeitado senhor assassino,
o pontual capanga dançarino...
Tantas histórias tecidas,
emoções sentidas,
provações vencidas,
mostras repetidas,
amostras repetidas,
risadas coloridas
e dolorosas partidas.
O terceiro ato
segue indefinidamente abstrato,
pois ensaiar a próxima cena
implica desbravar nova arena.
Mas resta a certeza serena
de que a arte faz a vida plena.
De longe, o público acena,
pedindo a próxima rima.
Me emocionei.
ResponderExcluirLindo demaiss, li vendo cada ato acontecer. Me perdi no segundo, encontrei a certeza mais perfeitamente escrita no terceiro <3 Parabéns por essa preciosidade!!
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