Bandeiras e Despedidas (II)
Não chorei nas inúmeras despedidas
Sorri impassível diante das partidas
E mesmo com tantos mundos em colisão
O meu coração seguia são e salvo
(Como em um terremoto no Japão)
Deixei tudo acontecer em sucessão
Sem freios e com uma tímida objeção
E então vieram chuva, bagagens, boletos
A gota escorrendo na janela como lágrima
Fazendo o ônibus chorar atrasos e lástimas
Marcando a pausa indefinida dos duetos
Que (outrora) preencheram o cômodo vazio
Desprovido de seus objetos, risos e sorrisos
Sentenciado à renovação e ao extravio
Ainda assim a estrada seguia em linha reta
Como quem foge do cliché dos ciclos
E os condena fatidicamente como um profeta
Que inevitavelmente retorna do fim ao início
E chora enfim como se fosse um poeta.
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