Existencialismo
Nos caminhos diversos que tomei
Nas pessoas inúmeras que encontrei
Terá existido quem
Não apenas me viu
Mas também me enxergou?
Notou e reparou além
Muito além do que o corpo mostra
Uma amostra da essência ignorada
Um gosto da consciência
A potência do coração?
Nos fragmentos de cotidiano que vivi
Nos territórios alheios que percorri
Terei eu percebido o outro
Contemplado sua plenitude
A virtude inesperada
E o vício irreversível?
Se de início o inferno são os outros
Como acolher o passageiro externo
E mesmo no solstício de inverno
Manter viva a interação?
No desvão luminoso da minha mente
Na minha alma talvez adjacente
Haverá uma espécie de abrigo
Ao menos território amigo?
Espelho, espelho meu
Será que existe
Algo além do eu
Belo, pacífico e indizível a se esconder
Que talvez um dia me ajude a responder
Quem sou eu?
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